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Plano de Aula: X-men e a Filosofia: Debatendo a deficiência

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Este plano de aula de Filosofia é apresentando com vários recursos para extensão do tema. É um plano de aula completo, com possíveis extensões de atividades e integração com outras disciplinas como Biologia. Para o seu sucesso, é necessário que o filme sugerido seja assistido.

Este plano de aula trabalha o filme X-men 3: O confronto final. Desta forma, pretende-se auxiliar os alunos a descobrirem que o debate filosófico está presente em várias coisas das nossas vidas, inclusive em questões éticas e morais despertadas em filmes.

Quadro negro com texto escrito: plano de aula de filosofia
Um plano de aula completo de Filosofia para o ensino médio.

Estrutura do plano de aula de Filosofia

Os objetivos deste plano de aula são:

  1. Encontrar paralelos entre a cura mutante proposta no filme e a questão das pessoas com deficiência em nossa sociedade;
  2. Identificar estereótipos colocados no filme, comparando com os que são colocados nas pessoas com deficiência;
  3. Identificar os modelos médicos e sociais, usados em nossa sociedade com as pessoas com deficiência.
Tempo de aplicação:
  • Exibição do Filme X-men 3: o confronto final. O filme tem 1 hora e 44 minutos, logo ocuparia duas ou três aulas. O ideal é que os alunos assistam previamente em casa, ou em grupos. Ou, seja exibido em turno contrário ao que estudam. 
  • Tempo normal de aula - duas aulas de 45 minutos, sendo admitido para este plano de aula de filosofia mais uma aula, caso o debate seja produtivo.

Desenvolvimento do plano de aula

Tema principal: A cura mutante e as pessoas com deficiência

Material de apoio:
  • Filme X-men 3: O confronto final. 
  • Organizar a sala de aula de forma temática. Em forma de plenário. É recomendável que se pareça o "congresso" mostrado no filme, ou a disposição de pessoas em um tribunal. Desta forma a participação dos alunos será intensa e estimulante.

Material de Apoio: Estereótipos sobre os "mutantes".

Logo no começo do filme, é mostrado uma cena chocante: o filho de Warren Worthington, tentando cortar suas asas, se revoltando com aquela condição. A frase do seu pai - "não, você não!" - nos coloca a par da nossa realidade de que, é difícil aceitar  ter um filho com "deficiência". 

A busca da "cura" para seu filho, leva Warren a querer eliminar um sentimento de culpa por seu filho nascer assim. Este sentimento é comum também em pais com crianças especiais*.  

O que a cura mutante implicaria para todos os pais de crianças deste tipo, não é mostrado no filme . Mas na cena do interrogatório de Mística ela afirma que sua família tentou lhe matar. É visto também, na cena da visita de Charle Xavier e Magneto na casa de Jean Grey, os pais dela se referirem a "doença da filha". 
Em nossa sociedade, ainda existem culturas que eliminam crianças com deficiência. Ou de certa forma, tratam a deficiência como doença.

O medo e os estereótipo que fazem alguns mutantes temam a cura, pode ser comparado ao medo e ao estereótipo que podem forçar uma mulher a querer um aborto, se souber que  bebê terá síndrome de Down (exemplo). A "cura" nos dois casos serve apenas para eliminá-los.

cena do filme x-men
A possibilidade da cura, de ser uma pessoa "normal" encanta alguns mutantes no filme

Cura médica ou cura social?

" Vampira (empolgada): É verdade? Eles podem nos curar?                              Tempestade: Não, não podem. Você quer saber por quê? Porque não há nada de que se curar. Não há nada errado com você. Ou com qualquer um de nós."
A princípio soa estranho comprar mutantes, que na ficção tem poderes, com pessoas com deficiência, que na vida real tem limitações. No filme a mutação não é tratada como um dom, como um superpoder e sim como uma corrupção da atividade celular, uma doença, um problema médico. 

Existem casos de sucesso no tratamento contra a surdez, paralisia e outros. Um deficiente auditivo poderia ficar muito feliz em poder ouvir, ou um paraplégico em poder andar.
A cura médica para ser a única saída para esta doença.Os recursos devem ser investidos para apoio e pesquisa da cura.


Já a personagem Tempestade adota um modelo de cura social. O problema não seria físico. A sociedade cria a deficiência colocando rótulos, afirmando e limitando as opções para algumas pessoas.

Partindo deste argumento, a sociedade onde vivem os mutantes (ou as pessoas com deficiência) é a culpada pelas dificuldades que eles enfrentam. Em uma escola para deficientes auditivos, todos convivem bem e são normais. O "estranho" neste caso, seria uma pessoa sem deficiência auditiva inserida no local. Provavelmente, ela teria uma limitação na comunicação e sofreria preconceitos.

A solução seria investir dinheiro mais em proteção social, campanhas contra o preconceito, etc.

Pergunta para reflexão em sala de aula: Em nossa sociedade prevalece mais o modelo médico ou o modelo social? Opine.


Exemplos de modelo médico no filme
Alguns poderes mutantes são debilitantes, de certa forma indesejáveis. Vejamos:
  • Wolverine teve seu corpo revestido de adamantium (metal fictício). Seu corpo sente uma dor intensa quando as garras saem do corpo. 
  • Ciclope tem de usar óculos para proteger as pessoas dos seus raios. Não pode olhar nem nos olhos da namorada.
  • Fera e noturno tem sua mutação aparente, não podem andar no meio das pessoas sem serem notados.
  • Jean Grey apesar de parecer "normal" sofre para dominar sua outra personalidade interior (Fênix), ela não consegue controlar seus poderes, e quando a outra personalidade a domina comete atos terríveis.
  • Já Vampira é a que vive um dilema. Sua deficiência não é aceita por nenhuma pessoal "normal" e, até mesmo entre os mutantes ela sofre um preconceito. Sua ânsia de ser curada é enorme, pois ela deseja uma interação maior com as pessoas queridas.
Fera x-men
A mutação do Fera é algo aparente e chama a atenção.

Exemplos de modelo social no filme

Diferente de alguns, muitos mutantes rejeitam o modelo médico e a cura para suas deficiências. 
  • O filho de Warren, o personagem Anjo, transita pelos dois modelos. Uma hora quer a cura mas, acaba desistindo no final. Certamente sua infância foi cheia de limitações, inclusive na escola. Mesmo assim, ele acaba se aceitando como uma pessoa especial e chega a salvar a vida do seu pai, graças a sua deficiência.
  • Tempestade aceita sua condição e questiona a cura: "Quem quer essa cura? Quero dizer, que tipo de covarde a aceitaria, só para se encaixar na sociedade?" - em diálogo com Hank (Fera).
  • Magneto, é a expressão melhor do modelo social. Seu discurso no comitê de mutantes sobre a cura é convencedor. Ele questiona que silenciosamente todos serão exterminados. Sua condição de sobrevivente do extermínio, praticado pelos nazistas, é lembrada. De fato, durante o Holocausto, os nazistas exterminaram vários daqueles que consideravam defeituosos.

Atividades para conclusão do plano de aula

A filosofia pretende ser mais prática do que teórica. Não deixando de lado o trabalho com textos clássicos em sala de aula, é importante utilizar de momentos como este para fomentar o debate, ensinando aos alunos o verdadeiro sentido de se opor as ideias. Sempre com respeito.

Atividade em sala: Debate

Nesta atividade, o professor deve dividir a sala em dois grupos. Cada um, baseado nas percepções que teve do filme deve elaborar um relatório dizendo os motivos que defende determinada causa.
Após, defenderá suas ideias em sala de aula, contrapondo o lado contrário em um debate. 

O professor deverá organizar a sala de tal forma, que pareça mesmo um debate. Se possível escolha uma sala que tenha os elementos necessários, como um auditório. É ideal que o ambiente fique similar a um tribunal, ou a um congresso parlamentar. Este plano de aula foi pensando para trabalhar desta forma. 

Cada grupo defenderá uma ideia. Um defenderá o modele médico da cura, o outro defenderá o modelo social como a "cura" para convivência harmoniosa entre mutantes e pessoas normais.

Questões e afirmações para reflexão de cada grupo ( o ideal é que cada grupo não saiba o conteúdo  do outro antes do debate):

Modelo médico
  1. Todos os mutantes são sempre super-heróis, com poderes desejáveis? 
  2. Quem não desejaria a cura da surdez e poder voltar a ouvir? Ou poder voltar a enxergar?
  3. A cura é voluntária. Vai quer quer.
  4. Nem todas as pessoas com deficiência se encaixam na sociedade com a mesma facilidade que outras. É covardia querer salvar a si mesmo de uma perseguição e preconceito social?
  5. Se um gene mutante transforma a pessoa em um ser brutal e violento, é covardia dos seus pais querer curá-lo?

Modelo social
  1. A deficiência é algo tão terrível que precisa ser corrigido?
  2. Desde quando a deficiência é uma doença?
  3. As pessoas com deficiência nascem doentes ou é o "tratamento especial" que as fazem adoecer?
  4. Não há nada para se curar.
  5. Que tipos de virtudes e princípios valorizamos?
O professor pode adaptar estas questões, e até formular outras durante o planejamento ou debate. O importante no papel do professor, é mediar o debate, não declarando vencido este ou aquele ponto de vista. Faz parte do aprendizado ouvir e julgar os dois lados, que dependendo da ótica pessoal, são certos.


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* O temo "pessoas com deficiência" tem sido substituído por pessoas com necessidades especiais. Constata-se porém, que a mudança é somente no termo e não nas atitudes.
Referência bibliográtfica: Inwin, Willian. X-,Men e a filosofia:visão espantosa e argumento assombroso no X-verso mutante - São Paulo: Madras, 2009
Elaboração: Cassemiro Luis.
Revisão: Marcela Silva



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