Rousseau e a Educação

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Rousseau (1712-1778) foi influenciado diretamente por Locke, possuindo também ligações estreitas com Rabelai e Montagne. Essa ligação explica até certo ponto, as tendências filosóficas do seu sistema de educação.

Filho de um pobre relojoeiro, teve uma infância atribulada e uma educação imperfeita. Sua vida foi cheia de imperfeições, em contraste com a sua obra. Porém, seu incrível poder de persuassão, sua desenvoltura e seu dom de despertar emoções, explicam o prestígio imenso dos seu trabalhos.

Segundo o sistema pedagógico de Rousseau o uso de livros se daria somente a partir dos doze anos
(Imagens: Pixels/ wikimédia)


A carreira de Rousseau como escritor, começa em 1750, com o seu Discurso sobre as Artes e as Ciências, a um tema proposto pela Academia de Dijon. Três anos mais tarde, dentro da mesma circunstância escreveu o "Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens". Entre tantas outras obras, convém citar a de 1762: Emílio - que é um romance didático, a obra pedagógica fundamental de Rousseau.

O postulado básico da doutrina educativa de Rousseau é a bondade que nasce com o indivíduo, que faz parte da natureza humana. Na sua opinião, tudo o que sai das mãos do criador é bom; tudo degenera nas mãos do homem. A maldade humana não é resultado das tendências naturais do homem, mas da influência da sociedade. Dai se justifica a necessidade de educar o homem fora do ambiente social, em plena natureza.

Assim compreendemos o caráter individualista da educação de Rousseau. Dentro deste sistema não é possível a educação em massa, a educação popular, mas a formação de indivíduos privilegiados que se possam isentar da influência corruptora da sociedade.
Educação do indivíduo pelo indivíduo, eis o lema da pedagogia de Rousseau.


Emílio de Rousseau

Para ilustrar sua ideias, Rousseau criou um tipo ideal de educando, o "Emílo" cuja educação descreve em 5 livros.
No primeiro, trata dos meses iniciais de sua vida até que aprende a falar; no segundo, estuda o período que vai dos dois aos doze anos; no terceiro, o período dos doze aos quinze anos; no quarto, dos quinze até a época do casamento; e no quinta, trata particularmente de Sofia, futura esposa de Emílio.

O sistema educativo de Rousseau

Rousseau reconhece que a infância e a juventude não constituem simples fases de transição para a idade adulta, mas representam etapas significativas e próprias. Por isso, se insurge contra os que consideram a criança um adulto em miniatura. A finalidade da educação para Rousseau deve ser, na sua opinião, levar a criança a viver sua infância, sem preocupações de formá-la, para a vida futura. Para isso, a educação deve seguir a natureza infantil e ajustar-se ao seu desenvolvimento espontâneo.

Mantenha a criança na dependência das coisas, terá assim seguido a ordem da natureza no progresso de sua educação. Não ofereça nunca às suas decisões indiscretas se não obstáculos físicos e punições que nasçam das próprias ações e das quais ela se recorda na ocasião; não a proíba de fazer mal, impeça ela apenas. A experiência ou a impotência devem ser as suas únicas leis. (Rousseau, "Emílio", liv. II)

Não deve também "raciocinar" com as crianças, como aconselhava Locke, mas sim deixar que as mesmas encontrem por si próprias os obstáculos e os recursos de sua atividade.

Na educação de Rousseau, a instrução verbal deve ser inteiramente desprezada e substituída pelas "impressões dos sentidos". Deve ser abolido o ensino de memória (decoreba), as fábulas, as histórias, assim como as línguas estrangeiras. E nada de ensino pelos livros até os doze anos. O saber não deve ser comunicado e sim descoberto pelo próprio aluno, sob a direção do mestre.

A obra educativa de Rousseau, enfrentou oposições, inclusive suas ideias são refutadas por Kant , e seu modelo educacional,  é contestável até hoje. Algumas das suas afirmações são desmontadas, e a aplicação na íntegra do seu sistema educativo é vista como um roteiro, para conduzir a formação de uma criança selvagem, sem moralidade, sem elevação, sem controle sobre os impulsos e extintos. Na prática nenhum modelo pedagógico é aplicável na sua integralidade nos dias atuais. Seria um fracasso.

Porém, as três interpretações da natureza formuladas por Rousseau esboçam as grandes linhas do desenvolvimento educativo do século XIX.

Um dos méritos da obra de Rousseau na educação, foi chamar a atenção dos educadores para a criança; foi acentuar a necessidade de a educação adaptar-se à natureza infantil; foi reagir contra a preocupação exclusiva dos fins da educação, sem atender ao emprego dos meios  adequados à sua realização; foi, enfim, mostrar que a infância não é uma miniatura da idade adulta e sim uma faze substantiva da evolução humana, com caracteres próprios e necessidades especiais.

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Referência:
Monroe, P. - História da Educação, trad. São Paulo, 1989
Rousseau, J.J, - Os Pendadores, São Paulo: Nova Cultural, 1999
Elaboração: Educador Cassemiro Luis



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