René Descartes: Sua vida e principais ideias. - Mais Educação

René Descartes: Sua vida e principais ideias.

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Hoje vamos estudas as principais ideias e a vida de um filósofo muito importante: René Descartes.
Ao final dessa aula você precisará saber:
- Pronunciar o nome correto do filósofo;
- Saber qual linha de pensamento ele segue;
- Entender algumas das suas principais ideias;
Descartes foi o pai da filosofia moderna, viveu em uma época difícil e seu pensamento sofreu influência direta da Igreja (lembra da inquisição, então...). Para pronunciar de forma "aceitável",  elimine o "s" do nome e sua pronúncia estará muito perto da correta (Decarte ou Dêcárte). 
René Descartes também conhecido como
Renatus Cartesius (em Latim). Algumas das
suas obras foram assinadas com este nome.


Onde nasceu e como viveu Descartes?

Descartes nasceu na França em 31 de março 1596 , na pequena cidade de La Haye. Não dependia de trabalhar, sua família era de muitas posses. Foi viver em Paris onde conheceu Isaac Beekman, o renomado filósofo e matemático holandês. Foi ele quem despertou o gosto pela Matemática e Filosofia no então, jovem soldado.
Vivendo na Bavária, teve um sonho enigmático em 11 de novembro de 1619, que mudaria totalmente sua vida e forma de pensar.
Descartes era matemático, observou que a matemática era exata enquanto a filosofia apresentava discordâncias de pensamentos.
Buscando uma fonte segura para o seu pensamento, afirmava que só a razão é confiável, pois os sentidos podem nos enganar.
Escreveu obras revolucionárias como Tratado sobre o universo na qual aponta algumas ideias escritas também por Galileu. Com medo de ser condenado pela inquisição não publica esta obra, que viria a ser lançada somente após sua morte. Escreveu outras grandes obras como Discurso do Método (1637) e Meditações (1641).
René Descartes ensinando a Rainha Cristina da Suécia.
Este "emprego" iria causar-lhe a morte (imagens : wikimedia)

Método cartesiano

O Inverno se instalou e encontrei-me num lugar onde não havia ninguém que me pudesse interessar. Na época, decidi passar meus dias numa estufa, onde podia estar só com meus pensamentos [...]
Neste "retiro" Descartes vai descrevendo como é possível, por meio de uma dúvida destruir toda a nossa crença no mundo que nos rodeia. Não há meios de saber algo com extrema certeza. Não importa o quanto esteja enganado, a única certeza que tenho é que estou pesando. 
Como você sabe que está lendo este artigo? Como sabe se está sonhando ou está vivendo a realidade? Descartes chegou a resposta: 
Só não posso duvidar é de que penso, mesmo que pense estar sonhando ou sendo iludido, ou não ter corpo.
Logo eu penso, logo existo! Ou em Latim: Cogito Ergo Sum. O fato de estar pensando prova a mim mesmo minha existência.
Segundo Descartes, se algo se mostra minimamente duvidoso, então deve ser excluído e considerado falso. É isso que ele chama de dúvida metódica: uma maneira diferente de duvidar e não usada habitualmente pelas pessoas quando estão diante de algo duvidoso.
Com base nessa ideia, ele propôs um método racionalista, denominado método cartesiano, que consiste em uma série de procedimentos para bem conduzir o pensamento daquele que medita filosoficamente. Consiste basicamente em quatro regras:


  1. Só aceitar ideias claras e definidas.
  2. Dividir cada problema em tantas partes quantas forem necessárias para a sua solução.
  3. Ordenar os pensamentos do simples ao complexo.
  4. Verificar exaustivamente se há algum lapso.
Só conhecemos as coisas externas através da mente.
Na foto, a cera da abelha e um favor prensado.

No método cartesiano o sujeito é mais importante que o objeto. O ser é o sujeito que pensa e observa o mundo e produz ideias sobre ele. O objeto é matéria do conhecimento, e só pode ser conhecido através do pensamento.
Como exemplo Descartes deixa um exemplo bem claro:
Observando um bloco de cera de abelha posso com os sentidos saber o sabor, forma, sua consistência, temperatura e rigidez. Ao aproximar o bloco do fogo tudo muda, a cera permanece mas derretida, em outra forma. Portanto, conheço a cera através da mente, não da imaginação, nem dos sentidos.
Descartes afirmava que todo o conhecimento das coisas externas está na mente. Toda a filosofia anterior precisava de um fundamento, até que tenha sido examinado suas premissas, e demonstrado um método de avançar a partir delas.

Provando a existência de Deus

Como falado no início, algumas das principais ideias de Descartes foram publicadas anos após sua morte. O filósofo tinha receio de "ser enquadrado" pela inquisição da Igreja, como havia acontecido com Galileu.
Suas ideias não poderiam se opor a existência de Deus. 
Sendo assim, Descartes tinha que provar a existência de Deus, já que Deus era a única garantia de que:
- Nossas ideias claras e definidas são verdadeiras.
- Não estamos sendo iludidos por um gênio maligno.
Nota: Descartes usava a prova ontológica de Anselmo na qual a ideia de um Deus perfeito deve ter uma causa. Como somos imperfeitos, não somos esta causa. Logo, a ideia de um Deus perfeito tem como causa o próprio Deus.
Este pensamento estruturado ficou mais ou menos assim:
  1. Eu existo logo....
  2. Deus existe logo...
  3. Nossa ideia do mundo externo deve ser verdadeira logo....
  4. Nosso corpo deve existir, mesmo que seja diferente da mente logo...
  5. Eu existo! (e começa o ciclo novamente).
A separação entre mente e corpo era nítida nas principais ideias de Descartes. Para explicar como ambos funcionavam perfeitamente ele usou como exemplo dois relógios, funcionando em perfeita sintonia.


Podemos afirmar que antes de Descartes a Filosofia estava adormecida, e a filosofia moderna começa com ele.
Mente e corpos são como dois relógios.
Separados mas, devem trabalhar em sintonia.

Morte de Descartes

Mesmo a contragosto Descartes foi para a Suécia dar aulas à Rainha Cristina em 1649. Ela exigia que as aulas fossem às 5 da manhã. Nem no exército Descartes se levantava da cama antes das onze. O choque de despertar cedo, somado ao mais intenso inverno escandinavo, causou-lhe em poucas semanas  um resfriado. Este logo evoluiu para uma pneumonia que, em uma semana o matou. Sua morte ocorreu em 11 de fevereiro de 1650.

Concluindo

Outras principais ideias de Descartes não exploradas nesta aula:
- A geometria analítica e o plano cartesiano;
- A Teoria dos Vórtices para explicar o funcionamento do universo.

Em Resumo Descartes foi o pai do Racionalismo cujas principais ideias são:
  • O conhecimento vem da dedução racional e lógica;
  • As ideias inatas são a única fonte segura de conhecimento;
  • Apresenta dificuldade em unir sua certeza lógica à realidade;
  • Proposições analíticas ( que são verdadeiras por si próprias. Exemplo: "Todo homem que nasce na Bahia é Baiano");
  • Conhecimento a priori (fruto apenas do raciocínio);
Bibliografia de apoio:
Strathern, Paul - Descartes em 90 Minutos - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 1997
Texto: Educador Cassemiro Luis
Pesquisa de imagem: Luciane G.

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