Como aconteceu o Acidente Nuclear de Chernobyl

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Neste resumo iremos abordar os principais pontos que levaram ao pior acidente nuclear da história em Chernobyl, na época pertencente a antiga União Soviética e localizada na Ucrânia. Foram vários fatores que levaram ao colapso do reator e poderia ser escrito um artigo tratando cada evento separadamente. Escolhemos optar pela escrita didática, onde cada evento principal está presente. 
O assunto energia nuclear é recorrente em testes e provas seletivas, tanto na disciplina de História/ Geografia quanto na Física/ Química. 
Imagens do reator 4 de Chernobyl, após a explosão.

Como funciona uma Usina Nuclear

As Usinas Nucleares, como a de Chernobyl se baseiam no processo de Fissão ou Quebra Nuclear. Um Reator Nuclear de uma usina utiliza urânio. De certa forma, o reator nada mais é que uma bomba nuclear controlada. A reação em cadeia pode ser interrompida ou acelerada, mediante a introdução ou retirada de barras de cádmio como o cádmio,  hafnio ou de boro. Estes tem a propriedade de absorver nêutrons. Estas barras funcionam como um "freio" do reator diminuindo sua potência. Estas barras serão cruciais no Acidente Nuclear de Chernobyl.
Esquema de funcionamento de uma Usina Nuclear.

Como vemos na figura acima, uma usina nuclear funciona movida a urânio, que aquece a água que passa pelo reator. A mesma se transforma em vapor que move as turbinas gerando eletricidade.
Após alguns anos de uso, o urânio enriquecido, precisa ser trocado. Esse material radioativo não é reaproveitado e deve ser armazenado em recipientes metálicos protegidos por espessas paredes de concreto, no lugar mais seguro possível, até que a radioatividade desapareça ou se torne inofensiva.
O problema é que a radioatividade leva centenas de anos para desaparecer. O lixo nuclear é um grande problema.

O Acidente de Chernobyl

Em 26 de abril de 1986, durante um teste noturno de segurança, o núcleo do reator da usina atômica de Chernobyl fundiu devido a uma falha no sistema de refrigeração. Ao perceber o erro, os engenheiros reintroduziram as barras de controle (explicadas anteriormente) para tentar parar o reator. O problema era que as barras eram de borio e com grafite na ponta. O calor que era entre 3.000 a 4.000 °C incendiou o bloco de grafite, fundindo o mesmo e, provocou uma explosão química no reator número 4 de Chernobyl.
Na explosão, o prédio ruiu parcialmente, liberando uma nuvem radioativa. Dezenas de pessoas morreram de imediato no local, entre elas quase toda a brigada de incêndio da usina que não sabia exatamente o que havia ocorrido e, se apresentou para combater o incêndio inicial sem proteção alguma contra a radioatividade.
Monumento construído em homenagem aos Bombeiros mortos no acidente
nuclear de Chernobyl. A atuação deles evitou um desastre maior.

O aviso tardio

A 3 km da Usina de Chernobýl ficava Pripyat, uma cidade construída nos anos 70 para abrigar os trabalhadores da usina e que tinha em média 135.000 habitantes. No dia seguinte ao acidente a cidade funcionou normalmente. Somente após 36 horas é que começou a evacuação da cidade, de forma emergencial. As pessoas saíram somente com a roupa do corpo, entrando em centenas de ônibus e deixando tudo para trás. A promessa era que voltariam em no máximo uma semana. 
A nuvem radioativa, no decorrer de algumas semanas, atravessou vários países europeus, contaminando a agricultura, os animais (inclusive seus subprodutos, como leite, ovos, etc.) e pessoas. Muitos produtos foram proibidos para consumo, e a Noruega, por exemplo, teve de sacrificar 8.000 renas.
A União Soviética negava ao mundo qualquer anormalidade mas, devido a alta radiação detectada na Suécia, foi obrigada a admitir publicamente em 28 de abril que havia acontecido um Acidente Nuclear em Chernobyl.
Cidade fantasma de Pripyat, tendo ao fundo a Usina de Chernobyl.

O combate ao vazamento nuclear

Após o acidente começaram os combates para evitar um mal maior. Foi uma verdadeira operação de guerra: Tropas foram convocadas, helicópteros derramavam produtos químicos, chumbo e areia sobre o reator para tentar conter o vazamento. Alguns homens tiveram que fazer um trabalho braçal de remoção de destroços contaminados, estes foram chamados de "liquidadores". Muitos morreram devido a exposição de altas doses radioativas, inclusive os pilotos dos helicópteros. 
Para conter a radioatividade foi construído em 200 dias um sarcófago gigantesco em torno dos destroços do reator 4. Com problemas estruturais recentes foi necessário projetar outro para uma contenção mais duradoura. Este está em fase final e a cobertura nova já está instalada sobre a antiga. A previsão do construtor é que este novo sarcófago garanta uma segurança nuclear de 100 anos.
Primeiro sarcófago construído para conter a radiação em Chernobyl


Consequências do Acidente Nuclear de Chernobyl

Estima-se em 900 anos para que, a região onde fica a cidade de Pripyat possa ser novamente habitada. A região é uma área de acesso restrito mas, é possível visitar a cidade turisticamente com um guia e autorização especial. Não se pode levar nada do local, nem uma folha que seja. O risco de contaminação ainda existe. Os prédios abandonados da cidade estão sendo consumidos pela vegetação, ação do tempo e a ferrugem. 
O último reator de Chernobyl foi desativado no ano 2000. Somente operários que constroem o sarcófago e as equipes de segurança e pesquisa frequentam o local. Um estudo feito no final da década de 90 estimava que até 40.000 pessoas teriam câncer nos próximos 50 anos em decorrência do acidente nuclear de Chernobyl.
Novo sarcófago sendo construído em Chernobyl.
A previsão de conclusão é em 2017 e sua durabilidade
é para 100 anos.
A radiação é um inimigo invisível. Pode contaminar uma pessoa de tal forma que as complicações severas não apareçam de imediato. Somente em casos de altas doses é que o efeito é praticamente instantâneo.
O acidente de Chernobyl serviu para a revisão dos processos de construção de reatores nucleares, de tal forma que, uma acidente nas mesmas circunstâncias (ou falhas operacionais) hoje é impossível (o acidente de Fukushima  em 2011, foi causado por um terremoto e um tsunami)

Chernobyl no ENEM 

Questão do ENEM de 2011:

O acidente nuclear de Chernobyl revela brutalmente os limites dos poderes técnico-científicos da humanidade e as ”marchas-à-ré“ que a ”natureza“ nos pode reservar. É evidente que uma gestão mais coletiva se impõe para orientar as ciências e as técnicas em direção a finalidades mais humanas.
GUATTARI, F. As três ecologias. São Paulo: Papirus, 1995 (adaptado).

O texto trata do aparato técnico-científico e as suas consequências para a humanidade, propondo que esse desenvolvimento:

a)defina seus projetos a partir dos interesses coletivos.
b)guie-se por interesses econômicos, prescritos pela lógica do mercado.
c)priorize a evolução da tecnologia, se apropriando da natureza.
d)promova a separação entre natureza e sociedade tecnológica.
e)tenha gestão própria, com o objetivo de melhor apropriação da natureza.

Resposta: A . O fragmento de texto alerta para projetos de energia que visem o bem coletivo. Como vimos nesta aula, a energia nuclear produz lixo de difícil destinação, além do risco de um acidente contaminar toda uma área. As alternativas b e c são elimináveis pelo senso do absurdo. Em um teste deve-se sempre riscar na primeira leitura as questões absurdas e eliminá-las do seu juízo final sobre a questão.



Elaboração Blog Mais Educação
Imagens: Wikimédia Comons


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