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Memórias Póstumas de Brás Cubas : Resumo e Análise

Da obra de Machado de Assis, publicado como livro em 1881. É um clássico da literatura brasileira que marca o tom cáustico de Machado de Assis e viria a posteriori, influenciar outros autores.
Apresentamos um resumo detalhado da obra e uma análise crítica do livro.


Personagens:



- Virgília, antiga namorada de Brás Cubas. Aquela que realmente o amou. Era tímida, maternal e bonita. Casa-se com Lobo Neves. 
- Lobo Neves, marido de Virgília, homem sumamente medíocre, tendo falhado em tudo, desde o amor até à política.
- Quincas Borba, amigo de Brás Cubas. Foi muito mimado na infância, depois se desagrada e se reencontra quando recebe uma herança. Em seguida, começa a elaborar uma filosofia tão profunda que esta o enlouquece e o mata (O Humanismo).
- Sabina, irmã de Brás Cubas, casada com o Cotrim.
- Eulália Damaceno de Brito, "Nha Lolô", noiva de Brás Cubas que morre de febre amarela aos dezenove anos.
- Dona Plácida, amiga e servidora de Virgília, que favorece aos amores desta com Brás Cubas.
- Marcela, bela cortesã espanhola que foi amante de Brás Cubas a quem reencontra toda deformada pela varíola.




Resumo

Brás Cubas, personagem título, nasce de pais bons, mas que lhe dão uma formação deformada. Criou-se num ambiente cheio de hipocrisia e de mediocridade, onde as pessoas eram vazias e fracas. Sua formação escolar é normal. Ainda adolescente é tomado por uma paixão violenta por Marcela, mulher fácil que o leva a grandes desatinos e frivolidades. No auge da crise intervém seu pai que, para livrá-lo da amante, manda-o para a Europa, para se formar em Coimbra, o que na verdade ocorre mais tarde. Brás Cubas forma-se e volta ao Rio, enamora-se de Eugênia, mas foi uma caso rápido. Mais tarde a encontra num cortiço.

Surge em sua vida aquela que poderia ter sido seu grande amor: Virgília. Era mulher ideal para ele, segundo seu pai. Mete-se na política e é derrotado. Perde também a Virgília para o Lobo Neves. Virgília, logo após, percebe o seu grande erro e passa a amar Brás Cubas na clandestinidade. Os dois amam-se de verdade, mas já tudo é irremediável. Arranjam-lhe outro casamento com Nha Lolô, mas também não dá certo. Finalmente, de fracasso em fracasso, morre Brás Cubas sem ver realizados os seus últimos sonhos: a nomeação para Ministro do Estado e a manutenção de um jornal oposicionista que fundara tempos antes.

Análise da Obra


Toda a estória, acima exposta, é narrada de uma maneira singular: o personagem é quem conta a sua própria vida depois de morto, então podemos chamar esta obra de uma Autobiografia Póstuma. Pois só depois de morto é que o homem pode ter uma visão panorâmica de sua existência.
A tese é acima de tudo pessimista: a vida é vista como uma sucessão de fracassos, os valores que regem a nossa existência são falsos e efêmeros. Nem o amor, nem a glória, ou o poder, dão um sentido à vida que se fundamenta numa profunda mediocridade. A grande intenção de Machado de Assis é criticar a superficialidade da vida do seu tempo, que vivia de aparência e acima de tudo não apreendia o verdadeiro sentido da vida, que é o verdadeiro amor.

Quer conhecer mais sobre Machado de Assis? Acesse: MACHADO DE ASSIS: OBRAS E ESTILO DO AUTOR.

Brás Cubas é um homem como tantos outros que dissipou a sua vida e jogou por terra todas as suas chances de ser feliz. É sem dúvida uma obra contra a dissipação sentimental. Um homem sem laços sentimentais é um boneco, um palhaço, cuja única forma de libertação é a morte, por ser ela a única forma de nos libertamos de nossas misérias humanas. O homem é infeliz porque vive atrás de falsos valores, porque persegue ilusões. Brás Cubas poderia ter amado muitas mulheres, não amou nenhuma porque não tinha condições sentimentais adequadas.

A zombaria da obra, o sarcasmo, e ironia magoadas que Machado de Assis usa, é uma advertência contra os falsos ideais. Não que Machado de Assis fosse um frustado, ao contrário, ele foi feliz, mas ele via que os homens andavam a buscar a felicidade exatamente onde não estava: no poder, no sexo, na política, etc... Os tipos de Machado dão pena, são farrapos humanos e sofrem, porque estão imbuídos de intenções falsas, porque não são autênticos e sofrem e nunca se encontram. Só depois de morto é que Brás Cubas viu a espantosa miséria que fora a sua vida, pautada pela inutilidade e pela superficialidade.
E termina dizendo "Não casei, não tive filhos para não lhes transmitir o legado de minha miséria".

Tese final: O fracasso total existencial do ser humano deve-se acima de tudo à falsidade dos valores que regem a sua vida.

Gostou do livro? Você pode ler ou baixar gratuitamente a obra, que é de domínio público neste link: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000215.pdf

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