Caso Césio 137 em Goiânia. Saiba como tudo ocorreu.

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Em 2017, completa 30 anos do caso Césio 137 ocorrido em Goiânia, no Brasil. É um tema que voltou a ficar em evidência na mídia e um assunto com possibilidades reais de cair em uma prova como a do ENEM.
Neste resumo, quero apresentar a você os principais pontos. Não é necessário decorar os nomes, apenas se atente aos fatos e no desenrolar do caso. 

Entendo o isótopo Césio 137

Conhecemos a utilização da energia nuclear como fonte de energia, em usinas nucleares. Entre as várias outras aplicações da energia nuclear, os isótopos radioativos são usados em radiografias de tubulações metálicas, processos produtivos e outros.
A radiação gama do Césio 137, é utilizada para esterilização, sendo eficaz na redução de patógenos (vírus, bactérias e parasitas).

Como ocorreu o acidente com o Césio 137

Após a desativação do Instituto Goiano de Radioterapia, em Goiânia, o prédio ficou "abandonado" de certa forma. Sem vigilância, se tornou alvo de saqueadores. Em uma desta investidas, dois catadores de recicláveis, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves , encontraram um aparelho de radioterapia abandonado em uma das salas. A cápsula que protegia o elemento radioativo do aparelho chamou a atenção pelo peso e quantidade de chumbo. Pensando em vender a peça e lucrar muito extraíram a capsula do aparelho. Era o dia 13 de Setembro de 1987.
Começa nesta data o Caso Césio 137 em Goiânia, o maior acidente radioativo em área urbana do mundo.
Depois de extraírem a peça do aparelho, tentaram desmonta-la, obtendo êxito sem separar algumas peças. Cinco dias após, conseguem vender a mesma ao ferro velho pertencente a Devair Ferreira em Goiânia. 
Dois funcionários do ferro velho conseguiram enfim, desmontar totalmente a cápsula, expondo o Césio 137 ao meio ambiente. Esses mesmos funcionários faleceriam algum tempo depois.

O brilho da morte

O Césio 137 tem um brilho azulado quando exposto
em ambiente escuro. Hoje não se fabricam mais equipamentos
com o césio 137 em pó(como o de Goiânia), para evitar acidentes.
Durante a noite, Devair foi atraído pelo brilho azul no depósito de materiais. Intrigado, foi até o local e viu que a peça de chumbo que havia comprado continha uma espécie de pó azul, que brilhava fortemente na ausência de luz.
A partir deste fato, começa uma série de contaminações que espalhariam o material radioativo por vários locais de Goiânia. Várias pessoas se contaminaram, algumas por contato direto e o caso mais grave: Leide da Neves Ferreira, sobrinha de Devair, que teve contato grave com o Césio 137, de forma que veio a ingerir uma pequena porção da substância acidentalmente, levada até sua casa por seu pai Ivo.
Devair, se recusava a aceitar que aquele material cintilante e bonito, fosse a causa do mal - estar que todos em sua casa sentiam. Sua mulher, de forma velada, resolveu levar aquela peça até a vigilância sanitária para uma explicação. O caso do Césio 137 em Goiânia entra agora no descaso das autoridades.

Nota sobre a imagem acima: O fato do Césio 137 ser em pó, ajudou na disseminação do contaminante por vários locais. Hoje se utiliza o Césio em pedra, para evitar justamente este problema.

Descaso e falta de conhecimento
Foto de jornal da época (Créditos: Correiro Braziliense)

Na vigilância sanitária, mesmo após os relatos da esposa de Devair sobre a desconfiança daquela peça, foi dado pouco caso a história. A cápsula aberta de Césio 137 ficou largada em uma cadeira por dois dias.
Por acaso, um físico estava na cidade. Foi avisado da suspeita e resolveu ir até o local onde morava Ivo. Ao chegar perto da menina Leide das Neves o medidor de radioatividade disparou.
Imediatamente retornou as autoridades sanitárias e deu o alerta. O caso césio 137 em Goiânia , mobilizaria toda a cidade e causaria pânico e medo na população.
A descontaminação só começou dia 30 de setembro, aproximadamente 16 dias depois do acidente, conforme imagem de jornal da época.

A operação de descontaminação

Começava uma operação de guerra. O Brasil ainda não dispunha de uma Agência Nuclear preparada para uma calamidade destas. Foram mobilizados funcionários da prefeitura, defesa civil, bombeiros e policiais. Muitos adoeceram anos depois por trabalharem no local sem a devida proteção.
Pessoas faziam fila no estádio olímpico para a verificação do nível de radioatividade. Casas foram destruídas por inteiro, animais domésticos sacrificados, houve a suspeita de contaminação das águas da cidade.
Goiânia vivia o caos. 
Os escombros das casas, a cápsula de Césio 137 e, objetos pessoais foram armazenados em tambores e levados para um depósito em Abadia de Goiás, onde repousam até hoje cobertos por espessas paredes de concreto e chumbo.
Terreno na rua 26, onde ficava o ferro velho de Devair.

As vítimas

Oficialmente são contabilizados somente 4 vítimas:
  1. Leide das Neves Ferreira - a menina que "comeu o césio", morreu de infecção generalizada no hospital. Tinha 6 anos.
  2. Maria Gabriela Ferreira - mulher de Devair, foi quem levou a cápsula com Césio 137 para a vigilância sanitária. Tinha 37 anos.
  3. Israel Batista dos Santo - funcionário do ferro velho de Devair, ajudou a desmontar a cápsula de Césio. Tinha 22 anos.
  4. Admilson Alves de Souza, - outro funcionário do ferro velho, que ajudou na desmontagem da cápsula. Tinha 18 anos.
Extra - oficialmente muitas outras morreram vítimas de efeitos colaterais. Devair por exemplo, começou a beber muito, se sentindo culpado pelo caso e, veio a falecer por problemas de alcoolismo.
Outras tantas, adquiriram alguma enfermidade posteriormente,  em decorrência do contato com a substância. O caso Césio 137 ainda hoje, continua a fazer vítimas.

As consequências

Houve muito preconceito com os moradores de Goiânia em várias regiões do país, muito por falta de conhecimento sobre a radioatividade. As vítimas do acidente (que ainda guardam sequelas) não representam risco algum mas, são ainda discriminadas na própria região onde vivem.
Os imóveis da localidade ficaram desvalorizados durante muitos anos. As vítimas diretas do Césio 137 sofrem até hoje para sobreviver. Sem trabalho, devido ao preconceito, dependem da ajuda de uma "pensão" do governo de um salário mínimo. Lutam ainda para receber medicamentos necessários para combater doenças que adquiriram devido ao caso césio 137 em Goiânia

Para saber mais:
 Associação dos Militares vítimas do Césio 137:
 http://comunidadedesantosfranciscodealmeida.blogspot.com.br/
Site governamental sobre o caso Césio 137:
http://www.cesio137goiania.go.gov.br/

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