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Escola Pública na UTI

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   O crescente debate envolvendo a reforma do Ensino Médio e a questão da qualidade de ensino público oferecido no Brasil reacendeu o debate sobre educação. Todos opinam. Alguns culpam os professores, outros os estudantes, outros culpam o governo anterior e o atual, enfim, achar culpados para o caos e sempre conveniente e aquietador dos ânimos. 
 
Tem condições?
Créditos: Diário do Nordeste
 A educação no Brasil se encontra atualmente na UTI sendo reanimada a cada sinal de falecimento completo mas sem sair dela. São várias as causas desta doença. A primeira delas é que a população cresce rapidamente e as escolas não acompanham a demanda. Já presenciei salas de aula com 50 alunos entulhados tentando aprender; uma falta de investimento claro em novas edificações. Sei de escolas que funcionam em locais improvisados, sem estrutura, alugados. Não existe estimulo para ensinar ou aprender quando a estrutura física não fornece o básico.

Giz e quadro: Há séculos o melhor que temos.

   Houve uma época que o giz e o velho quadro negro foram eficientes. Hoje estes "recursos didáticos" são ultrapassados. A velha lousa não atrai o saber e seu uso além de roubar o tempo hábil para o verdadeiro ensino somente fomenta o ensino "copie e decore" e não o verdadeiro ensino que é "questione e aprenda". Alguns vão dizer: "Mas novas tecnologias são tão caras!". Realmente são. Mas é um caso de vida ou morte. Ou se moderniza os recursos atuais ou cada vez mais teremos jovens copiadores ao invés de jovens estudantes
Novas tecnologias disponíveis no mercado facilitam
o ensino e o aprendizado.

A Formação de professores e a remuneração

   Licenciatura não é atraente. Mesmo com os preços atrativos são poucos que se aventuram em cursar uma. Pelos meus cálculos um jovem professor terá que trabalhar um ano inteiro 40 horas semanais para pagar seu curso. A remuneração baixa desestimula a escolha pela sala de aula e fortalece a opção para outras áreas como a indústria. Pegue um estudante licenciado em Química e pergunte o que prefere: Fazer um concurso público para lecionar e ganhar R$ 3.000,00 mensais?  Ou fazer um concurso público para a Petrobrás e ganhar em médio R$ 7.000,00 mensais?  A maioria escolherá a segunda opção. E não sejamos hipócritas de afirmar que "ensinar deve ser por amor". A remuneração ainda é um grande estimulante.

Investir em educação não gera votos.

   A comunidade escolar (pais, professores e alunos) pouco se mobiliza realmente pela mudança. Para muitos alunos o propósito é somente a conclusão do curso. Para muitos professores o que importa é o salário ao fim do mês. Para muitos pais o que importa é que o filho esteje dentro da escola e não incomode. E para os políticos o que importa é que existam escolas para servir de seções eleitorais.
Sem comentários. Isso é uma sala de aula?
Créditos: luiscardoso.com.br
Veja que ironia! A escola que é tão esquecida pela classe política serve de apoio para as eleições. Dentro da sala de aula é onde muitos decidem quem os representará por quatro anos. Um conselho: Ao ir votar olhe a situação da escola, a estrutura, o ambiente. Talvez mude de voto após esta análise.

   São muitos outros pontos que seria prudente citar mas não caberiam todos. O descaso é total. E os culpados? Eu e você amigo(a) leitor(a) deste blog. Sim, nós somos os culpados sem direito a recorrer ou argumentar. Bata no peito e assuma a culpa! Cada vez que escolhemos nossos representantes mal ou que não reivindicamos melhorias na educação para eles, estamos assumindo nossa culpa.

Enquanto lamentamos a educação continua na UTI, esperando nossa visita. Oremos para que não faleça de vez.

Luis Korani
- Colaborador Mirojobs - 



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