"Meu professor abusador" - A polêmica do mês. Uma opinião feminina.

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Uma página do Facebook levantou a polêmica questão sobre o assédio de alunas por educadores.

   A polêmica está correndo solta pelas salas de aula. Uma página criada por estudantes do Rio Grande do Sul - "Meu professor abusador" -  trouxe a tona a questão do assédio de alunas por professores. Acompanhei a página no início e li muitos dos relatos lá postados enviados por anônimos. É uma questão delicada. Como mulher e educadora sou contra qualquer tipo de abuso ou atitudes que inferiorizem a figura feminina seja na escola, trabalho ou em qualquer outro ambiente. Por outro lado, a página "Meu professor abusador" acaba abusando! Sem precisão de alguns fatos começou com relatos de assédio sexual e agora abriga relatos de alunos injustiçados que acusam professores de bullying  e supostas perseguições. Além de expor instituições de ensino sem verificar a veracidade dos fatos relatados.

Na internet abusos ganham voz. Pais devem dialogar
mais com seus filhos (Créditos: udayavani.com)
   O fato de defender a causa das mulheres não significa que apoie todo o tipo de método de protesto. 
   Como educadora já sofri assédio de alunos e alunas, ameaças e outras coisas do tipo. Lembro-me nos meus primeiros anos lecionando quando cheguei em uma escola nova e ao entrar em uma sala minha mesa foi cercada por umas alunas  e em tom de ameaça escutei "que era melhor eu ficar de boa naquela sala pois sabiam onde eu morava". O trauma foi grande. Outra vez tive o desprazer de encontrar o vidro do meu carro quebrado por represálias de alguns alunos que não gostaram que os flagrei em atos sexuais dentro do ambiente do colégio. 
   Neste caso da página "Meu professor abusador" existe os dois lados da moeda. Já encontrei muitos professores que não merecem estar em uma sala de aula, que falam abertamente das alunas com uma safadeza de dar nojo. Por outro lado, já tive alunas que assediavam professores, que me perguntavam coisas íntimas sobre colegas de trabalho(professores) e faziam questão de demonstrar este comportamento.
   E surge a pergunta: Como lidar com essa situação do "Meu professor abusador"? Primeiro achei a iniciativa bacana no começo mas ganhou uma repercussão e visibilidade alta. Eu recomendaria que tivessem cuidado ao publicar algo. Minha avó sempre dizia "que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". 

   Para resolver este problema é muito mais complexo do criar uma página e tentar sensibilizar com os casos a sociedade. Isto passa. É coisa de momento. A profundidade dos relatos revela que muitas jovens não contaram ou deixaram para contar para os pais depois do fato consumado. Existe uma ponte que precisa ser construída urgentemente entre pais e filhos. Normalmente o interesse sobre a vida escolar dos filhos só ocorre quando algo grave acontece e os pais se obrigam de comparecer até a escola. Abre-se espaço para os assédios, abusos e outros. Não só de professores mas de colegas. É preciso que os pais interajam mais com a vida dos seus filhos. Urgente!

A palmatória era um método de punição
físico para os alunos. (Créditos: Wikipédia)

    Os professores já são uma classe mal vista de profissionais desvalorizados. Não devemos julgar as atitudes erradas de alguns como universais. Já vi alunos que se uniram para inventar boatos só para prejudicar um professor que era "muito duro" com eles e cobrava o aprendizado e disciplina. Isto não é crime é dever do professor. E deveria ter o apoio dos pais e da sociedade. Mas, parece que a única classe que apoia os professores são os policiais. Estes sim sabem que um professor rígido e que cobra dos seus alunos evitará muitas celas de cadeia cheias no futuro. Enquanto a escola for vista como um método de punição em que os alunos se dirigem obrigados pelos pais nunca iremos avançar e relatos do tipo "Meu professor abusador" vão aumentar e trocar de título para " Meu aluno abusador" (ou agressor?) ou até piores. 

   E para os professores de má conduta vale lembrar que nossa missão é educar e demonstrar valores. Encerro  lembrando outro ditado que minha vó sempre dizia: "Onde se ganha o pão não se come a carne". Não preciso explicar qual atitude devemos tomar. É preciso saber colocar limites nas intimidades com os alunos e ser rígido. Hoje o papel se inverteu e quem apanha frequentemente de palmatória são os professores, seja físico ou moralmente. Se esta profissão desvalorizada irá sobreviver no futuro? Da maneira que seguimos em breve professores serão extintos. Até o futuro!

Atualização em abril de 2018: A página do Facebook "Meu professor abusador", está no ar mas inativa de postagens desde 2016. Não sabemos o motivo. O fato é que, caso ocorra um relato de um docente que passe dos limites não precisamos nos ater a solucionar pelo Facebook ou somente pela instituição. A polícia está aí, não tenha medo ou vergonha de procurar ajuda em uma delegacia. 
Da mesma forma, docentes assediados não podem deixar de impor o respeito, nem que seja necessário acionar a justiça.


Colaboração: Fabíola Becker
- Associação de Proteção ao Jovem Estudante - 

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